" Mobilizar é preciso: janeiro 2014

sábado, 18 de janeiro de 2014

Não se cale



Uns dizem que o mal do século é o câncer, outros dizem que é a AIDS, ambas doenças auto-imunes que atingem bilhões de pessoas à cada ano em todo o mundo. Arrisco dizer com veemência que o mal do século, o cancro da sociedade é o preconceito, a discriminação. Um conjunto de sentimentos, pensamentos e atos, que se alastram sorrateiramente destruindo toda e qualquer possibilidade de compreensão além do “próprio umbigo”. A impossibilidade de uso do senso crítico (ou o não desenvolvimento deste), a incapacidade de se colocar no lugar do outro e de pensar que cada ser é único, possui os mesmos direitos e merece ser respeitado são sintomas presentes e gritantes neste quadro. Esse mal é alimentado de diversas formas, muitas vezes imperceptível, outras de forma “escancarada” e deslavada. Apresenta sintomas universais e indícios facilmente reconhecíveis de que é retroalimentado de forma constante e intermitente, sendo repassado facilmente a cada geração. Piadas que colocam algo e/ou alguém (principalmente um determinado sexo, escolhas específicas de um indivíduo ou portadores de alguma característica ou doença que se difere da grande maioria da população – do dito “normal”) em situação vexatória ou de inferioridade podem ser facilmente observados. Ainda, uso constante e indiscriminado de ideias pré-concebidas sem qualquer reflexão, teorias acerca de características que devam estar “obrigatoriamente” presentes em indivíduos de sexo A ou B. Para este mal, não existe nenhuma medicação milagrosa ou “porção” que faça com que os seres possam enxergar a realidade além de si mesmos. Células tronco? Nada. À evolução deste quadro chamamos MACHISMO (a manifestação do primeiro quadro aumenta enormemente a possibilidade/ presença do segundo). Nesta etapa, o indivíduo acredita ser uma pessoa “superior” por ser geneticamente considerado do sexo masculino (o que, em sua cabeça lhe dá o direito de dar a última palavra, decidir tudo, mandar, bater, espancar, matar). As piadas e idéias preconceituosas são manifestadas de forma deslavada, em tom de “graça”, seguida de risos.

Todo e qualquer pessoa, vítima direta ou indireta dessas manifestações que só trazem ideias pobres, mesquinhas, desprovidas de senso crítico devem lutar pela não propagação destas ideias. Esses pensamentos, sentimentos e atos só trazem sofrimento e desrespeito ao próximo e são retroalimentados a cada pequena “piada”. Não quero com isso dizer que deves ser a “Madre perfeição em pessoa”, pois de perfeitos não temos nada. Mas pare, analise, olhe, pense e se coloque no lugar do outro ao menos por um segundo. Não tem graça nenhuma colocar pessoas em situação de descaso e inferioridade. Desconstrua! A si mesmo, aos “pré-conceitos” que recebeste deste que vieste ao mundo, à todo e qualquer pensamento ou ato recebido e perpetuado sem questionamentos. A realidade não é composta somente da SUA realidade. O mundo é imenso, diverso, múltiplo e rico de significações, contextos e interpretações distintas. A diversidade, as características que fazem com que cada ser seja único é aprendizado puro, pedra bruta a ser lapidada e descoberta por cada um de nós em contato com os outros. Não seja um mero expectador que aceita isso. Pense, reflita. Recicle-se e, acima de tudo, não se cale! Plante em si e ao seu redor, extermine este mal que se alastra sorrateiramente. No seu atuar, na sua fala, nos seus gestos. Cada um pode, se quiser, encontrar o seu jeito de fazer isto.