Uns dizem que o mal do
século é o câncer, outros dizem que é a AIDS, ambas doenças auto-imunes que
atingem bilhões de pessoas à cada ano em todo o mundo. Arrisco dizer com
veemência que o mal do século, o cancro da sociedade é o preconceito, a
discriminação. Um conjunto de sentimentos, pensamentos e atos, que se alastram
sorrateiramente destruindo toda e qualquer possibilidade de compreensão além do
“próprio umbigo”. A impossibilidade de uso do senso crítico (ou o não
desenvolvimento deste), a incapacidade de se colocar no lugar do outro e de
pensar que cada ser é único, possui os mesmos direitos e merece ser respeitado
são sintomas presentes e gritantes neste quadro. Esse mal é alimentado de
diversas formas, muitas vezes imperceptível, outras de forma “escancarada” e
deslavada. Apresenta sintomas universais e indícios facilmente reconhecíveis de
que é retroalimentado de forma constante e intermitente, sendo repassado
facilmente a cada geração. Piadas que colocam algo e/ou alguém (principalmente
um determinado sexo, escolhas específicas de um indivíduo ou portadores de
alguma característica ou doença que se difere da grande maioria da população –
do dito “normal”) em situação vexatória ou de inferioridade podem ser
facilmente observados. Ainda, uso constante e indiscriminado de ideias
pré-concebidas sem qualquer reflexão, teorias acerca de características que
devam estar “obrigatoriamente” presentes em indivíduos de sexo A ou B. Para
este mal, não existe nenhuma medicação milagrosa ou “porção” que faça com que
os seres possam enxergar a realidade além de si mesmos. Células tronco? Nada. À
evolução deste quadro chamamos MACHISMO (a manifestação do primeiro quadro
aumenta enormemente a possibilidade/ presença do segundo). Nesta etapa, o
indivíduo acredita ser uma pessoa “superior” por ser geneticamente considerado
do sexo masculino (o que, em sua cabeça lhe dá o direito de dar a última
palavra, decidir tudo, mandar, bater, espancar, matar). As piadas e idéias
preconceituosas são manifestadas de forma deslavada, em tom de “graça”, seguida
de risos.
Todo e qualquer pessoa, vítima
direta ou indireta dessas manifestações que só trazem ideias pobres,
mesquinhas, desprovidas de senso crítico devem lutar pela não propagação destas
ideias. Esses pensamentos, sentimentos e atos só trazem sofrimento e
desrespeito ao próximo e são retroalimentados a cada pequena “piada”. Não quero
com isso dizer que deves ser a “Madre perfeição em pessoa”, pois de perfeitos
não temos nada. Mas pare, analise, olhe, pense e se coloque no lugar do outro
ao menos por um segundo. Não tem graça nenhuma colocar pessoas em situação de
descaso e inferioridade. Desconstrua! A si mesmo, aos “pré-conceitos” que
recebeste deste que vieste ao mundo, à todo e qualquer pensamento ou ato
recebido e perpetuado sem questionamentos. A realidade não é composta somente
da SUA realidade. O mundo é imenso, diverso, múltiplo e rico de significações,
contextos e interpretações distintas. A diversidade, as características que
fazem com que cada ser seja único é aprendizado puro, pedra bruta a ser
lapidada e descoberta por cada um de nós em contato com os outros. Não seja um
mero expectador que aceita isso. Pense, reflita. Recicle-se e, acima de tudo,
não se cale! Plante em si e ao seu redor, extermine este mal que se alastra
sorrateiramente. No seu atuar, na sua fala, nos seus gestos. Cada um pode, se
quiser, encontrar o seu jeito de fazer isto.

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