" Mobilizar é preciso: Níveis de acessibilidade Urbana variam conforme grupos pesquisados bem como níveis de desconforto e esforço. Validação de um modelo capaz de medir o nível de acessibilidade apresenta resultados que fortalecem a necessidade urgente de um planejamento efetivo de mobilidade urbana em nosso país

sábado, 14 de dezembro de 2013

Níveis de acessibilidade Urbana variam conforme grupos pesquisados bem como níveis de desconforto e esforço. Validação de um modelo capaz de medir o nível de acessibilidade apresenta resultados que fortalecem a necessidade urgente de um planejamento efetivo de mobilidade urbana em nosso país



Aguiar (2010) em sua tese de doutorado com o tema “Acessibilidade relativa dos espaços urbanos para pedestres com restrições de mobilidade” nos auxilia na compreensão de que, para usuários com necessidades especiais, a disponibilidade de espaços urbanos que promovam maior facilidade de deslocamento (maior mobilidade) garante o menor esforço. Isto significa que, nessas condições, maior é o nível de acessibilidade a esses espaços. Segundo a autora, deve-se considerar o fato de que os usuários dos espaços de circulação no modo a pé são desde as pessoas fisicamente aptas àquelas com dificuldade de locomoção e o conceito de acessibilidade deve abordar estes aspectos. Para ela a acessibilidade é também uma questão referente à qualidade e está intimamente relacionada a fatores como o conforto e a segurança. A mobilidade é um direito humano e os espaços públicos têm que cumprir requisitos que forneçam acessibilidade a todos os usuários potenciais, sem excluir os de comunicação ou locomoção reduzida. Somente rearranjar os espaços públicos sem ter o conhecimento das verdadeiras características físicas de locomoção das Pessoas com Deficiência e das Pessoas com Restrições de Mobilidade não tornam os espaços mais adequados. Complementa trazendo que, estas mudanças físicas e estruturais devem ser medidas segundo o esforço e cansaço apresentado na locomoção das pessoas aos quais as mudanças se destinam, não devendo ser compreendidos usando-se como referenciais pessoas que não apresentam dificuldades em sua locomoção. Como assinala Bassey ET AL (1988, citado por Aguiar, 2010) à proporção em que envelhecemos constata-se uma diminuição do comprimento da passada no andar, um declínio progressivo na carga que os músculos conseguem erguer e uma desaceleração na velocidade de caminhada. No Brasil, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo VII, Artigo 227, §2º tratando das normas sobre construções nos espaços urbanos aborda que devem ser seguidas “a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência e idosas”. Temos também as leis Nº 10.048 e 10.098 que tratam sobre transporte e mobilidade urbana, além do Código de Defesa do Consumidor e outros. Para Cambiaghi (2007, citado por Aguiar, 2010) as leis são importantes, mas são apenas um primeiro passo. Segundo ela, pesquisas revelam que países que possuem a questão da acessibilidade mais desenvolvida não são aqueles com leis e normas rígidas ou detalhadas, mas aqueles onde existe maior consciência social e melhores recursos técnicos e humanos.



Tendo como principal objetivo o intuito de validar um modelo que possa medir o nível de acessibilidade dos espaços urbanos de acordo com grupos (pessoas sem restrições de mobilidade, pessoas com restrições de mobilidade – idosos, pessoas com restrições na locomoção resultantes de deficiência visual ou física) o estudo mostrou que os níveis de acessibilidade variam, sendo no geral melhor aos que não apresentam restrições de mobilidade, níveis mais baixos de acessibilidade para o grupo Idoso e níveis ainda mais baixos de acessibilidade para os grupos que possuem restrições de mobilidade resultantes de deficiência visual ou física. Estes resultados só fortalecem a necessidade de reflexão sobre a mudança de olhares e de atitudes, além de um planejamento efetivo de mobilidade urbana em nosso país, pois cada grupo vivencia a questão da acessibilidade urbana apresentando níveis distintos de desconforto e esforço, que sem sombra de dúvidas afeta diretamente o bem-estar, o direito de ir e vir, a saúde e desrespeita de forma ofensiva o direito à igualdade e qualidade de vida.

Referência

Aguiar, F. de O. (2010) Acessibilidade Relativa dos Espaços Urbanos para Pedestres com Restrições de Mobilidade. Tese de Doutorado. Escola de Engenharia de São Carlos. Universidade de São Paulo. Departamento de Engenharia de Transportes. São Carlos, São Paulo, Brasil. Disponível em http://disciplinas.stoa.usp.br/pluginfile.php/88187/mod_resource/content/2/tese-acessibilidade%20em%20espa%C3%A7os%20urbanos.pdf

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